Quebrei antes de iniciar o negócio


Na década de 90, ter uma linha telefônica residencial ou comercial não era para qualquer um. Era um patrimônio tão valorizado quanto carro ou residência. Para ter o direito a uma linha era necessário cumprir uma maratona hercúlea: aguardar a prefeitura lançar um número limitado de linhas; dormir em filas enormes para se cadastrar; e se contemplado, dar um sinal e parcelar o restante do valor em trinta e tantos meses e por fim, aguardar a instalação.
O quadro era um prato cheio para o surgimento de um mercado paralelo. Eram muitas linhas comerciais e residenciais que este mercado oferecia. O preço? Algo como US$ 2.000 ou até mais. E se alguém precisasse urgentemente de uma linha e não tivesse capital ou interesse em se aventurar no paralelo? A opção era alugar a linha.
Aluguel de linhas telefônicas? Ótimo negócio! Raspei a minha poupança e fui adquirir uma linha, no mercado paralelo mesmo. Parcelei o valor da linha em cinco vezes dando um sinal e quatro cheques pré-datados. Nossa, a sensação foi a mesma de quando comprei o meu primeiro carro!
Eis que no dia seguinte, pairou uma nuvem negra sobre o meu futuro negócio: a empresa onde eu havia comprado a linha telefônica pediu falência. Nem acreditei, nossa! A notícia mereceu destaque no noticiário local. No dia seguinte à pancada fui cedinho ao endereço da loja e constatei com meus próprios olhos a fria em que eu havia entrado. Um monte de gente tentando arrombar a porta do estabelecimento, quebrando as janelas, uma bagunça só.
Segui para o banco para sustar os cheques e em seguida ao PROCON e depois à delegacia de polícia onde eu só preenchi formulários. Tempo perdido! Eu não tinha a quem recorrer! É muito azar! Será? Foi a falta de experiência e informações sobre a empresa que me fizeram cair nesta enrascada. Como é que se entra em um negócio sem um mínimo de conhecimento do mercado? Sem uma avaliação da tendência do setor? Sem eu ter compartilhado com a minha mãe? Enfim, não houve o menor planejamento, então, eu tinha mais é que me ferrar mesmo.
Tempos depois o velho telefone foi perdendo a imponência e a mesinha exclusiva no canto da sala. O mercado paralelo morreu assim como as locações de linhas. Tudo isto aconteceu porque os serviços de telecomunicações foram privatizados dando chance para várias empresas entrarem no mercado.
O fato é que as gerações mudam assim como os negócios, mas errar faz parte da natureza humana e, portanto, sempre nos depararemos com ele. Já cometi vários outros erros horrorosos e provavelmente cometerei mais um tanto. E você? Já cometeu algum erro doloroso? 






Gosto muito de dinheiro



Certa vez, alguns amigos resolveram fazer uma reunião em minha casa para jogar conversa fora e tocar um pouco de violão. Era uma calorenta tarde de domingo em uma pequena cidade interiorana. Lembro-me que eu não estava nem um pouco a fim de sair e, portanto, bater um bom papo para encerrar a tarde se mostrava uma excelente pedida.


Neste dia, no período da manhã, eu havia lido alguns capítulos de um livro sobre finanças pessoais e por algum motivo acabei esquecendo-o sobre o sofá. Horas depois, antes que eu o percebesse ali, com as páginas escancaradas, a companhia tocou, era Carlos e seu inseparável violão. Quando se deparou com o livro foi logo me questionando:

- Ei, você gosta de dinheiro, não é?

- Sim, gosto de dinheiro e de muito dinheiro. Havia Respondido prontamente, sem titubear.

- E você? Gosta de dinheiro? Responda apenas sim ou não.

Carlos imediatamente começou a expor suas convicções a respeito do dinheiro, coisas como: dinheiro não é tudo na vida, dinheiro não traz felicidade, isto é coisa do demônio, e por aí vai. Citou vários exemplos de como o dinheiro só atrai o que não presta. Enfim, eu não tinha obtido resposta alguma.

Uns trinta minutos depois a campainha anunciou a chegada de alguém. Abri a porta e Rubens, mais de que depressa, já começara com as piadas. Este não perdia tempo, era um cara bem animado. Após encenar a gostosa piada e finalmente conseguirmos parar de gargalhar, então, eu cortei caminho e fui direto ao ponto:

- Rubens, responda apenas sim ou não. Você gosta de dinheiro?

Ainda meio embaraçado pela pergunta totalmente fora de um contexto, começou a desenhar a velha ladainha, semelhante à de Carlos, incrementada com risadas para encobrir o constrangimento.

Faltava ainda chegar mais uma pessoa, a minha vizinha e, diga-se de passagem, uma moça muito religiosa, criada desde a infância segundo os preceitos da religião dos pais e muito perspicaz. Eu tinha imaginado logo – serei crucificado até o final da tarde. Enquanto ela não chegava, começamos cantar algumas músicas da Legião Urbana.

Acho incrível esta crença coletiva que bloqueia a mente de muita gente quando o assunto é dinheiro. De cara criam dois grupos bem distintos: os bonzinhos (pobres) e os malvados (ricos). Os bonzinhos querem apenas dinheiro para sobreviver e os malvados querem dinheiro para manipular, pisarem umas sobre as outras e são até capazes de dizimar famílias pelo dinheiro. Nossa, são uma corja de bandidos.

Ainda na adolescência, após me desfazer destes pensamentos estigmáticos,  comecei a perceber que talvez  existam apenas três grupos: os que sabem fazer o dinheiro trabalhar por eles, os que ainda não sabem fazer o dinheiro trabalhar e os que não sabem nada sobre o dinheiro e nunca saberão.

Penso que as pessoas deveriam dedicar tempo para estudar alguns assuntos relacionados a dinheiro: como ganhar, investir, planejar o futuro, organizar o presente, etc. Estas crenças antigas e enraizadas na cultura geral limitam as pessoas de prosperarem e usufruir o que o dinheiro pode proporcionar como uma melhor saúde, educação, conforto, ajudar ao próximo, abrir um negócio, gerar empregos e etc.

Para mim é claro o fato de que o dinheiro não molda o caráter de ninguém, apenas evidencia quem as pessoas realmente são. Se sem dinheiro a pessoa já não prestava, com dinheiro se tornará um exímio inescrupuloso. Por outro lado, se a pessoa sempre foi um poço de bondade sem dinheiro, com dinheiro provavelmente se tornará um rio de ações filantrópicas.

De repente a companhia interrompeu a animada cantoria.  A turminha fez um misterioso silêncio e já esboçavam um sorriso bem irônico aguardando o derradeiro momento em que iriam cravejar a estaca em meu peito. Abri a porta e Maria entrou bem tranquila, cumprimentando todo mundo, até o cachorrinho. Após alguns minutos de sua chegada fiz a tão esperada pergunta.

- Maria, você gosta de dinheiro?

Maria suspirou, mirou os olhos sobre nós e disparou:

- Gosto.

Foi curta, grossa e sincera!

- Você, Maria? Tão religiosa! Surpreendeu-se Carlos, se levantando atônito.

- Rapazes, me expliquem a relação entre dinheiro e religião?

Questionou Maria calmamente e em tom baixo, como de costume, mas sempre de olho em nossas reações.

- Em nome do dinheiro tantas bobagens foram, são e serão realizadas, da mesma maneira que em nome da religião muitas barbaridades foram, são e serão cometidas. Completou.

Um rápido silêncio ecoou pela sala e Maria continuou:

- Gente, não complique. Aprendam a não serem escravos nem do dinheiro e nem da fé cega.

Maria não parou de falar, continuou explanando seu pensamento com maestria e tranquilidade. O violão? Não ousou dar mais um pio até o final daquela tarde. Lembro-me que eu não pude me conter e comecei a rir, afinal, logo de quem viera a resposta mais sincera e verdadeira. Maria nos deu uma aula de história, religião, economia e finanças pessoais. Amém!


Brevemente um novo imóvel na carteira – MO506



Em 2018 um novo imóvel irá compor a carteira de imóveis G65. Trata-se de um apartamento de 70 m2, situado em uma região nobre da cidade. O bairro apresenta ótimas características como:

  • Fácil deslocamento para qualquer ponto da cidade seja de carro ou ônibus.
  • Próximo a grandes redes de supermercados.
  • Muito próximo ao centro da cidade.
  • A região apresenta ótimos bares e restaurantes e outras opções de lazer.

O imóvel foi comprado na planta em 2012, porém, em 2014 é que a construção começou a deslanchar. O regime adotado é o de condomínio onde os condôminos assumem o gasto com a construção.

Neste momento a obra encontra-se no ponto onde cada condômino tem a liberdade de modificar a sua unidade como bem desejar, obviamente obedecendo a estrutura básica de maneira a não comprometer a estabilidade do prédio. Todas as modificações desejadas são submetidas à equipe técnica da construtora para avaliação. Creio que a maioria dos condôminos não modificou o projeto básico, porém, já comprei pensando em redesenhar o espaço interno.

No projeto básico cada unidade tem dois quartos, uma suíte, uma pequena cozinha conjugada com a área de serviço, uma sala de dois ambientes, banheiro social e varanda. Decidi ampliar a suíte, a cozinha e a sala, para isto eliminei um quarto. Eu tinha a opção de eliminar a varanda e ampliar ainda mais a sala, mas prefiro não fazer isto agora, esta modificação, caso seja a ideal poderá ser realizada posteriormente, já com o imóvel na fase de acabamento.

Provavelmente o apartamento estará dentro do grupo das poucas unidades que apresentam apenas uma suíte e um quarto. Muitos estão me dizendo que não valerá a pena tal modificação, pensamento que não compartilho. O apartamento é compacto, porém o conforto pode ser ampliado. Com estas modificações o imóvel será direcionado aos seguintes públicos:

  • Solteiro (estudante e/ou profissional que não quer fixar raízes na cidade)
  • Casal (recém-casados ou com apenas um filho)

Estes perfis de locadores estão crescendo na cidade, por isto penso que esta modificação poderá trazer bons frutos.
 

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